Régia Missão
Eugénio de Sá

 


De vós, senhora, a vida me apartou
Pois quis a sorte que o mar me levasse
E o nosso amor pendente se ficasse
Deste missão que el-rei me ordenou


Só Deus e o mar conhecem esta dor
Que me aperta no peito o coração
E em cada dia uma nova oração
Lhe resguarda a lembrança deste amor


Sabei, dona de mim, do meu querer
Que sem vos ver minh’alma é só metade
E essa metade é pouca p’ra viver


Mas que chegada a hora baste de verdade
Para vergar o mouro c’o pavor
Da visão que lhe leva a cristandade



28/04/08



A Batalha
Nídia Vargas Potsch


Portugal! Ah, Portugal!

E os navios se fizeram ao mar...
Era quase findo o ano
de mil quinhentos e setenta e oito.
O mês de agosto já estava a começar.

Ah, Meu Rei, Meu Rei, não se vá!
Fique, eu lhe imploro!
Mas a mulher amada não teve voz.
Naquelas circunstâncias
o correto seria partir...
Arrebanhar seu exército,
juntar-se ao otomano Omar
para salvar-lhe o trono.

Como o amanhã torna-se
um descobrir sem fim,
não perceberam a tempo, talvez,
nem deram a devida importância
aos seus ferrenhos oponentes
imbuídos que estavam da vitória fácil!

O combate foi terrível!
Com isso ninguém contava.
Ver cair um a um de seus combatentes
nas mãos e adagas dos inimigos
era aterrador...
Mas o fervor religioso de El Rei
o impelia a continuar... contando
com as bênçãos de um Papa que apenas
da retaguarda zelava e orava pelos seus fiéis.

Foram quatro horas de combates intensos.
Sangue jorrava pra todo lado,
cabeças, homens e cavalos rolavam inanimados.
Uma carnificina de quinze mil homens, para quê?

De repente, no meio de toda balbúrdia,
ouve-se uma gritaria: O Rei sumiu!

Ah, Meu Rei, Meu Rei, por quê foste?
Para quê foste, afinal?

E lá ficaram três reis no chão ensanguentado...
E os lamentos dos povos que os amavam se ouve até hoje...

Portugal! Ah, Portugal!

Perdeste por 60 anos a sua independência.
A Dinastia Filipina logrou êxito, afinal!

Portugal! Ah, Portugal!




@Mensageir@
Rio, 26/04/2012


 


Edição: AVPB
Arte: Olga Kapatti

 

 

 

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