Expectativas!
Nídia Vargas Potsch
 

 

Lidar com o imponderável, como fazer? Estaremos prontos? Não é fácil! Inexoráveis são  as engrenagens do tempo que rodam continuamente sem parar... E não nos ajudam em nada... Numa cadência inquestionável, desnivelados por aflições cujos resultados não podem ser avaliados, tal como feridas expostas, nos demonstram a precariedade dos relacionamentos humanos.

A ansiedade da espera pelo encontro que virá, transforma-se num torvelinho de emoções, que marcam o silencio esmagador que contribui para a grande agitação dos corações apaixonados. Esta expectativa aterradora, como chuva de verão, chega aos borbotões, causa estragos, inundações em grande escala, muitas vezes verdadeiros tsunames emocionais... Como num esperado embate! Palpita o coração, revolve sentimentos, abala toda e qualquer estrutura... Tudo isso, antes de estarmos prontos para tentar resolver nossos dilemas pessoais. São as Luzes e Sombras que se moldam ao relento da dor... Na madrugada fria balbuciam seus versos vadios em cambalhotas mentais, espalhando desejos e sonhos inacabados, desmistificando o fracasso que emudece a fala de cada um dos lados... São os sinais conclusivos do pranto havido como única testemunha silente e tumultuada desse momento...

 

 

 

 

A espera tem limites
Eugénio de Sá
 

Quando a saudade chega sorrateira
Em jeito de ficar apoquentando
Quando no quarto se encosta à ombreira
Da porta onde vivemos esperando
Temos de considerar que a vida inteira
Será tempo demais pra ir esperando 
 

Porque a esperança só vive se os indícios
De uma solução forem achados
Não pode alimentar-se dos suplícios
Que radicam nos sempre mal amados
Porque da esperança vã ficam os vícios
Dos soluços dos prantos não chorados
 

As saudades sem esperanças são só agonias
Que um triste coração não deve prolongar
Pois não pode bater imerso em tiranias
Na constância da mágoa que o irá matar
Há que assumir de vez as nostalgias
Do amargo desenlace de um amor acabar   
 

Portugal
Agosto 2006

 

 

 

@Mensageir@
Rio, 16/07/2014
 
Carinhosamente, Nídia & Eugénio de Sá
 
 
 
 
 
 
 
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ARTESUDAM
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