PACIENTE ESPERA ...
Nídia Vargas Potsch / Humberto-Poeta
 
Ao acordar da noite,
 e da indesejada solidão,
surgiu imensa letargia,
final de longa espera,
cansaço, desânimo,
olhos baços no tempo
que jamais retorna...
 
 Esses tensos arroubos de ansiedade,
que parecem sem causas e sem nexos,
provém da tua intérmina saudade
dos meus carinhos e dos meus amplexos.
 
Horas perdidas
ou reflexões intensas?
O que sei eu ...
 
Horas que o tempo vai levando embora
de um sonho que a ninguém era segredo,
e que à tua mente volta inteiro agora,
na indecisão da dúvida e do medo.
 
Apenas uma parada necessária
para refazer forças,
encarar o mundo de frente,
com todas as dúvidas e aflições,
neste aprendizado constante,
entre o bizarro, o louco, e o decadente ...
 
Mas, no suplício que tal dor te causa,
que não é tua, mas pertence a nós,
quem saberá se após tão longa pausa
nos surja a chance de não mais ser sós?
 
Ah! Envelhecido espelho onde reflete
 a imagem duvidosa
de alguém que não sou eu ...
Ou serei ...?
 
És sim a mesma... esquece esses assuntos;
és bela ainda, e dentro d'alma sinto
que ainda há tempo de acendermos juntos
os toscos restos de um braseiro extinto!
 
 
* * *
 
 
@Mensageir@
Rio de Janeiro, 2009