TRAIÇÃO
 Eugénio de Sá
 

É lança mergulhada em peito aberto
Que franqueámos a um bem sonhado
E incautos fomos no sonho liberto
Deixando o coração triste e magoado
 

Amar alguém tem sempre dois sentidos;
Dar-nos à condição sem condições
Não pode ser vivido entre gemidos
Também nos são devidas devoções
 
 
Que ser traído é mal imperecível
Não é remível c’o passar do tempo
E todo o mal parece ser possível
Pla revolta que arde em fogo lento
 

E ao menor sinal que isso aconteça
Devemos a nós próprios a assumpção
Que se deve acabar, pois que pereça
Esse amor que nasceu no coração
 
 
 
 **-**
 
 
 
Traição!
Nídia Vargas Potsch
 
 
Agulhadas finas sangram o peito
Com a angustia de uma traição
Penetra fundo, vai até a alma
Atinge no caminho o coração.
 
 
A dor aumenta num crescendo
Não vai embora, só intensifica
Não nos deixa em paz, maltrata
 Esmurra a vaidade... tremelica.
 
 
Corroi e lesa o orgulho ferido
Cresce a sensação de rejeição
Rompe por dentro, machuca ardido
Frustra e desvia qualquer perdão...
 
 
Não há lágrimas nem pensar coerente
Que estanque esta ágil destruição.
Somente o vazio ancorado no ausente
Onde instala por testemunho a aflição!
 
 
Olhar embaçado e vago que nada vê
Mas como não podia deixar de ser
martela cabeça, fica aflita pergunta no ar:
Onde foi que eu errei? Será que errei?
 
 
 
@Mensageir@
Rio de Janeiro
 
 
Carinhosamrnte, Nídia.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Arte Final Sueli
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