Mar! Ah, Mar Tenebroso!
Nídia Vargas Potsch
 
 
 
Mar! Ah, Mar Tenebroso!
Em Tempos idos, no início,
tempos difíceis de se acreditar!
 
Tempo em que se dizia ser o Mundo Conhecido,
um enorme tabuleiro, pois supunham-no retangular...
 
Esses mares foram protagonistas
de muitas dores, muitos amores,
dos que ficaram, dos que partiram...
 
Monstros gigantescos nele habitavam
Assombravam a todos os navegantes,
a cada cadência das ondas, obstáculos, armadilhas,
 a cada oscilar mais forte das embarcações...
 
Mar! Ah, Mar Tenebroso!
A vida se resumia em duas, chegadas e partidas!
 Metades que quase nunca se encontravam outra vez.
 
Escunas, veleiros mais velozes, com o tempo
foram se aperfeiçoando, melhorando o desempenho.
Caravelas de grande porte e demais embarcações
partiam ávidas para explorar e descobrir terras longínquas...
 
Ficavam semanas e até meses no mar.
Muitas vezes à deriva por não ter vento suficiente...
 
Mar! Ah, Mar Tenebroso!
O Mar continuava a ser assustador,
com animais ferozes, desconhecidos...
mas navegantes eram homens fortes,
marinheiros por vocação, Homens do Mar!
 
Comandantes enfrentavam medos,
 os seus e os dos subordinados, brumas repentinas,
nevoeiros densos e assustadores, alarmes falsos,
destroços de outras embarcações a boiar ao largo,
 nada os detinha, pela doce e heróica aventura
de navegar no misterioso Mar...
 
Portanto, os navios se faziam ao mar
e voz alguma era capaz de calar
 o coração de um marinheiro, nenhuma barreira.
Nem o martírio da mulher amada!
 
Mar! Ah, Mar Tenebroso!
Maldições de toda natureza, bruxarias,
lendas, fábulas, crendices de todos os tipos
eram enfrentadas com galhardia.
Nenhum ardil os afastava de seus objetivos
pois sortilégios, benzeduras e rezas 
eram feitos diariamente.
 
 Monstros extravagantes emergiriam
a qualquer momento
como uma cobra enorme capaz de
 engolir uma embarcação inteira.
 
Mar! Ah, Mar Tenebroso!
Esses Homens continuaram firmes
corajosos ágeis e desbravadores.
 
Depois de muito penar, âncoras foram jogadas!
A travessia se cumpriu.
Um belo Alvorecer despontava...
 
O jubiloso desfecho estava logo à frente:
 O Novo Mundo foi assim conquistado!
 
Mar! Ah, Mar Tenebroso, quanto nos legou!
 
 
@Mensageir@
Rio, 21/05/2012
 
 
* * *
 
“O mar com fim será grego ou romano:
o mar sem fim é português!”
( Fernando Pessoa )
 

Mar de Portugal
Eugénio de Sá
 

Ah, este mar do meu país natal
Que há nove séculos ouve Portugal
Nos marulhados ecos de uma gesta
E desses ecos lhes conhece a glória
Que se extasia de partilhar-lhe a história
E até ignora Eolo que o molesta.
 
Ah, este mar que me fez português
Que chorou com as lágrimas de Inês
E exultou liberto de grilhões
Que das conquistas soube do direito
E aos mártires e heróis lhes presta preito
Quando se lança à costa em vagalhões.
 
Ah, este mar enorme, ocidental
Que banha todo o nosso Portugal
Com respeito pelo povo que conhece
Que d’Isabel aprendeu a piedade
E sabe que é um velho sem idade
Amado ao sol da pátria que o merece!
 
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( Honra e glória aos navegadores portugueses )
 

Nau das descobertas
Eugénio de Sá
 

Ímpio este mar que se ergue firmemente
Frente à proa da nau que nele se afunda
Em cada vagalhão, fauce iracunda
De um velho Adamastor fero e potente
 
Que queres de nós? - Pergunto firmemente
E o imenso oceano à nossa pequenez
Responde com violência e altivez
Noutro golpe de mar, poderosamente
 
De presto chega o dia e a bonança
Consigo traz contida na temperança
Alguma calma ao coração cansado
 
E logo na amurada os olhos ousam
Fitar duas gaivotas que ali pousam
Na esperança de escutarem mais um fado
 
 
* * *
Peça encerrada!  Obrigada, NVP.
 
Carinhosamente, Nídia.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Créditos
 
Imagem: Reflexão.com
Tube Misted @fjunior
Arte: Auber Fioravante Júnior
Música WAVE
Clasical-Pachelbel

 

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