Da Serie Mini Contos



Vida e Arte
Nídia Vargas Potsch




Densas nuvens atravessam as muralhas de pedra em ruínas, passam ligeiras pelos canhões enferrujados, expostos ao relento, retornam pela ala oeste onde estão em exposição o gramado alto com suas estátuas anteriormente alvas, agora, amareladas pelo tempo... Passo a passo contra o vento, com seu vestido longo de rendas e cetim, chapéu de palha na cabeça, sombrinha de sol fechada, apoiada no braço esquerdo, lá ia ela pensativa, balbuciando o diálogo do seu novo texto. A seu lado, ele de pincenê e casaca, papel dobrado em punho, uma carta amassada, ouvia-a atentamente, era um texto simples, uma bonita história de amor com final trágico, portanto precisava certa concentração dos atores. Da passagem dos dois pelos caminhos de pedra, a encenação se fazia com muito brilho e autenticidade, competência de bons e belos atores. Atravessaram o recanto do antigo jardim sem flores, onde pararam e se fitaram longamente por um certo tempo. Ele pegou seu queixo, afagou-lhe os longos cabelos e de encontro a seus lábios, beijou-a ardentemente,
- Corta! Ouvia-se o diretor gritar com um megafone. O par de mãos dadas seguiu adiante até o final da aléia onde um novo afago deu início a doces carícias.
É a Vida imitando a Arte ou a Arte imitando a Vida?





@Mensageir@
Rio, 18/11/2012




Arte e Formatação: AugustaBS

 

 

 

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