COMO CRIAR UM SONETO?

 

Para se fazer Soneto, há que se ter calma,
para que as rimas colocadas fiquem no lugar correto
e a sonoridade esteja perfeita, como numa música.



Observação: Não obedecida suas normas, não são sonetos, mas simples poemas que só têm do soneto, o arcabouço, segundo os críticos especializados. Outros críticos menos severos, classificam-nos de “sonetos esdrúxulos”.


Vemos, portanto, que a maioria dos sonetos que vemos na NET, bem mais fáceis de fazer que os convencionais, não são sonetos no rigor do termo, mas simples poemas, ou, quando muito, “sonetos esdrúxulos”. Confesso que eu os faço assim, com a liberdade da minha imaginação.


Conceito de SONETO TRADICIONAL:

Soneto - Pequena composição poética composta de 14 versos, com número variável de sílabas, sendo o mais frequente o decassílabo, e cujo último verso (dito chave de ouro) concentra em si a ideia principal do poema ou deve encerrá-lo de maneira a encantar ou surpreender o leitor. Pode ter a forma do soneto italiano (o mais praticado) ou do soneto inglês. (...).     Fonte: Houaiss

Soneto - Composição poética, formada por 14 versos geralmente distribuídos por dois quartetos e dois tercetos. Soneto estramboto: soneto com três tercetos, usado no século XVII.  Soneto inglês: soneto formado por três quartetos independentes e um dístico.
Fonte: Michaelis


Simplificando para entendermos melhor:


Requisitos básicos de um soneto decassílabo:
Ter dez sílabas, contadas até a última sílaba tônica que deverá ser a décima...
Além da décima, a SEXTA SÍLABA, também DEVE ser tônica...
Existe uma variação permitida para as sílabas tônicas porém, JAMAIS NO ÚLTIMO VERSO.
Seria a combinação: quarta, oitava e décima sílabas tônicas;

Além de tudo isso, a sonoridade deve estar perfeita, porque às vezes, mesmo com as sílabas tônicas corretas, a gente tropeça a voz na hora de ler...
O soneto não permite isso.

Uma das características fundamentais do soneto é que ele deve conter apenas duas rimas
para os dois quartetos.
Se as rimas dos versos do primeiro quarteto forem, por exemplo, “ara” e “ento”, as rimas dos versos do segundo deverão ser, também, obrigatoriamente, “ara” e “ento”.

As rimas dos tercetos, essas sim, podem variar. Mas se forem construídos com apenas duas rimas, ficarão bem mais elegantes e expressivos.

E finalmente,
O FECHO DE OURO...
O último verso deve ser um verso ESPETACULAR, uma idéia sensacional, algo que ao ler, a gente pensa: que maravilha!
Como eu gostaria de ter escrito isso!


Exemplos de Sonetos:



Soneto
Guilherme de Almeida


Quando as folhas caírem nos caminhos,
ao sentimentalismo do sol poente,
nós dois iremos vagarosamente,
de braços dados, como dois velhinhos,

e que dirá de nós toda essa gente,
quando passarmos mudos e juntinhos?
- "Como se amaram esses coitadinhos!
como ela vai, como ele vai contente!"

E por onde eu passar e tu passares,
hão de seguir-nos todos os olhares
e debruçar-se as flores nos barrancos...

E por nós, na tristeza do sol posto,
hão de falar as rugas do meu rosto
hão de falar os teus cabelos brancos.

 






EU
Florbela Espanca



Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...


Sombra de névoa tênue e esvanecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...


Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...


Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

 


 


Oficina Irritada
Carlos Drummond de Andrade

Eu quero compor um soneto duro
como poeta algum ousara escrever.
Eu quero pintar um soneto escuro,
seco, abafado, difícil de ler.

Quero que meu soneto, no futuro,
não desperte em ninguém nenhum prazer.
E que, no seu maligno ar imaturo,
ao mesmo tempo saiba ser, não ser.

Esse meu verbo antipático e impuro
há de pungir, há de fazer sofrer,
tendão de Vênus sob o pedicuro.

Ninguém o lembrará: tiro no muro,
cão mijando no caos, enquanto Arcturo,
claro enigma, se deixa surpreender.




 


A Rua dos Cataventos - I
Mário Quintana

Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...

Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...

Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!



 

 

 

Imagem jpg
Wav: Ernesto Cortazar - Fly with me
Arte e Formatação: JoiceGuimarães


Fonte: http://www.sonetos.com.br/famosos.php

 

 

 

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