O FASCINANTE UNIVERSO
DAS ARTES D'ALMA

Nídia Vargas Potsch

 
 
Idade Média: Arte Gótica
Parte 3
 
 
Altura e Luz - A Filosofia da Luz
 

Introdução
 

A Arte imprópriamente chamada Gótica porque nada tem em comum com os godos e é originária da Ilha-de-França, antiga província francesa, floresceu na Europa do séculoXII ao século XVI. No século XII a arte Românica achava-se em seu apogeu; nenhum sinal de decadência transparecia. Porém poderosas mudanças ocorreram. Uma nova maneira de viver organizava-se na Europa. Os monastérios não eram mais o único centro de cultura, nas universidades forjava-se uma nova filosofia. A idéia platônica do simbolismo e a abstração são substituída pela mentalidade aristotélica. O mundo não será mais uma ficção dos sentidos, que devia ser desprezado para alçar à essência divina, mas uma criação de Deus, merecendo ser estudado, admirado e imitado. O Naturalismo substitui o Simbolismo, as esculturas perderam a rigidez românica que as fazia corpo único comm arquitetura e humanizaram-se os retratos. A figura humana não será tratada convencionalmente, mas com naturalismo.
 
Expansão do Gótico pela Europa
 
A expansão do gótico ocorre inicialmente para o sul da França e logo para o resto da Europa, onde os monges cistercistences começaram, a partir do século XII, a exportar a arte gótica.
 
Na Inglaterra o estilo chega em meados do século XIII, e modifica-se para uma forma de gótico curvilíneo que ocupa o período que vai aproximadamente de 1250 a 1330.
 
Já a Espanha parece importar diretamente o gótico da França setentrional que é combinado ao estilo mudéjar.
 
Enquanto que a Itália se mostra refratária ao novo estilo. Em Florência, por exemplo, apenas a forma dos arcos que é incorporado, sendo que a estrutura segue sendo herdada das basílicas paleocristãs.
 
 
 
A Arquitetura: 

A arquitetura Gótica caracteríza-se pelo cruzamento de ogivas, pelas abóbadas de nervuras, apoiadas em pilares sustentados pelos arcos.Formando naves muito elevadas. As abóbadas de seis nervuras era considerada mais resistente. É uma arquitetura inspirada na influência bárbara e céltica, dotada de maior imaginação e verticalidade.
Já não era mais tempo de peregrinações e sim de visitas a grandes catedrais cheias de alegres vidraças. A partir do século XIII as igrejas tornaram-se cada vez mais elevadas. A primeira obra gótica - que marcou o início deste revolucionário estilo, foi a Abadia de Saint Denis, próxima a Paris.  Onde eram enterrados os reis franceses.
 
   
Abadia de Saint Denis                                Vista geral da Abadia                                 interior
 
 
Elementos arquitetônicos:

Interior
 
arcada, abóbada de nervuras, arco quebrado, clerestório, coluna, rosácea, trifório, vitral
 
Exterior
 
Arcobotante, arquivolta, cogulho, contraforte, gablete, gárgula, florão, jamba, pináculo, portal, tímpano, torre, traceria
 
Áreas da catedral
 
Ábside, capelas radiantes ou ábsides secundárias, coro, cruzeiro, deambulatório ou charola, nave, narthex, transepto.
 
Esquema dos elementos estruturais das catedrais.
 
 
Características gerais:
 
Verticalismo dos edifícios no Gótico, substitui o horizontalismo do Românico.
Paredes mais leves e finas.
Contrafortes em menor número.
Janelas predominantes.
Torres ornadas por rosáceas.
Utilização do arco de volta quebrada.
Consolidação dos arcos feita por abóbadas de arcos cruzados ou de ogivas.
Nas torres (principalmente nas torres sineiras) os telhados são em forma de pirâmide.
 
CATEDRAIS:
 
 
 
Catedral de Cologne                      interior
 
Catedral de Leon
 
   
                                              Portal oeste da Cat de Chartres                    Catedral de Amiens
 
 
    
Notre Dame de Paris de dia                                                                   Interior de Notre Dame - Paris
 
   
 
Interior da Basilica de Boulogne                     Igreja Saint Germer-de-Fly                  Parlamento Britânico
 
 
 
A Escultura, a Pintura e a Decoração:

 
As esculturas góticas estão presentes principalmente nos portais das catedrais góticas que são marcadas pelo aparecimento da figura do ser humano que agora faz parte do conjunto arquitetônico das catedrais. Essas novas esculturas marcam uma nova forma de representação das formas humanas baseada em uma nova flexibilidade: a curvatura do corpo, a elegância do porte e a preciosidade dos gestos, o sorriso que ilumina os rostos, marcando assim uma nova humanidade. A geometria não desaparece das esculturas, como também não desaparece de nenhuma disciplina artística medieval.
 
  
 
Porta dos apóstolos  ( Burgos )                                    Cúpula ( Burgos )
 
 Catedral de Burgos 
 
      
 
                                                         Teto da Sacristia de Burgos
 
 
Já na Abadia de Saint-Denis se observa uma maior importância dada à escultura que no românico, sendo que se vai afirmar pela primeira vez como elemento independente à arquitectura e com objectivos próprios na Catedral de Chartres. De qualquer modo a escultura estará ainda estritamente ligada à catedral mas, em oposição ao “amontoado” do românico, demonstra agora consciência do seu próprio espaço e ocupa-o de modo ordenado e claro. Especialmente no portal de entrada para o templo se encontram as maiores produções escultóricas que proliferam nas ombreiras (jamba), arquivoltas e tímpanos. As estátuas nas ombreiras libertam-se progressivamente das colunas e da sua forma irreal e alongada ganhando volume e vida.
 
Ao longo do século XIII os temas relativos a Virgem e as cenas do Juízo Final figuram na maior parte dos portais das igrejas góticas, havendo entretanto exceções como o caso de Saint Dennis. Em seu portal figuram personagens da monarquia francesa devido a sua função primordial de fortalecimento monárquico.
 
A exuberância da época gótica exterioriza-se também nas representações grotescas. Certos animais fantásticos servem de gárgulas que se encontram equilibrados nos contrafortes, espreitados sobre o parapeito, ou agachados sobre as cornijas. Contrariamente aos outros elementos góticos, eles estão ligados às mais remotas superstições populares. Associados à catedral contribuem para exprimir todo o vigor religioso da cristandade medieval.
 
           
 
Esculturas em marfim
 
O arcanjo Gabriel e a Virgem (Anunciação).
Estátuas (séc.XIII) do portal central da Catedral de Reims.
 
 
 
As esculturas obterão seus modelos da natureza. As folhas de acácia ou de trevo substituirão o acanto e a videira dos capitéis românicos. A pintura dos retratos mostrará a vida e os milagres dos Santos com narrativas de brilhante colorido.
Nos trabalhos de escultura, vidraçaria e ourivesaria nota-se este ar unitário e que completam não só igrejas, mas também grande número de edifícios militares e civis.
 
A figura de São Francisco de Assis, com seu amor à natureza, resumirá o sentimento gótico formado por uma forte religiosidade e um amor às coisaas singelas e reais, compreendidas como um reflexo de Deus.
 
A decoração dos monumentos góticos consistia em numerosas estátuas, vitrais de cores magníficas, móveis esculpidos e belas tapeçarias.
 
 
 
 
             
 
Adão - Notre Dame                    Virgem com infante                 Tapete da Criação
         1260 / Paris                     1339/Sain Denis                   Catedral de Gerona
 
 
Os manuscritos eram iluminados por hábeis miniaturistas e finalmente trabalhados, o marfim e os metais. Numa época tão propensa ao refinamento e ao luxo como a gótica, a lavra de metais preciosos ocupa um lugar de destaque. A partir do século XIII, observa-se um importante florescimento da ourivesaria e não só da vinculada ao culto religioso, mas também a de caráter civil.
 
As criações mais espetaculares da arte do vitral no período gótico são, sem dúvida alguma, as rosáceas. Seu conteúdo iconográfico costuma ter grande amplitude e, normalmente, seu caráter é simbólico. É bem frequente, por exemplo, que nas fachadas ocidentais se represente o juízo Final e nos braços do cruzeiro, o cristo em Majestade e a Virgem.
Entre as rosáceas góticas mais brilhantes estão as das catedrais de Paris, Reims, Chartres, Lausanne, Orvieto e Siena.
 
 
 
Balduini- rei de Jerusalem - Abadia de Saint Denis
 
 
   
 
O colorido e a exaltação da luz na                                    Catedral de Saint  Michelle
                                  rosácea de Sainte-Chapelle, Paris
 
 
  
 
SAINT DENIS VITREAUX                                                            Saint Denis
 
 
 
Pintores da Época:
 
 
Surge um importante conjunto de pintores que adornam as igrejas com afrescos,
inúmeros retábulos e afrescos. São eles:
 
 
Do movimento Naturalista:
 
Duccio
Giunta Pisano
Pietro Cavallini
 
Pintura luminosa, na qual a perspectiva é ainda convencional
mas que possuem uma profundidade na qual as figuras movem-se com vida
:
 
Cimabue
Giotto
 
Simone Martini
Irmãos Lorenzetti

 
Conclusão 

                             
Durante os séculos XIII e XIV o gótico torna-se o estilo internacional, espalhando-se pelo mundo. O que, de certa forma, fez com que ele desabrochasse e mais tarde por volta do Sec. XV, o Renascimento surge.
 
 
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Claridade...
Nídia Vargas Potsch
(indriso)
 
 
Vitrais de reflexos harmoniosos
Partilhados a tecer sonhos etéreos
Versograma decorativo e artístico...
 
Sinal de eternidade além do horizonte
Moinhos de ventos, coloridos mosaicos,
Regalia caprichosa em diademas de princesa...
 
Regozijo a circundar matizes de claridade.
Vibrações essenciais que impulsionam orações.
 
@Mensageir@
Rio de Janeiro

 

 
 
CLIQUE AQUI:
 
 
 
 

 
Vídeos para complementar o que foi dito acima:
 
 Se desejar ver mais (existem um grande número deles para serem vistos)
basta acessar o youtube em Arte Gótica

                                                                                                
 
Catedrais Góticas
 
http://youtu.be/gv6GcEa477A
 
Pintura, Escultura e Arquitetura Góticas
http://youtu.be/C8NLAl7BmUY
 
 
Arquitetura, escultura, pintura e vitrais   (templo gótico)
http://youtu.be/RbHctIjQGSk
 
  
Vitrais Góticos
http://youtu.be/zy3zPeLhDDg
  
 
Vitrais Angélicos:
http://youtu.be/YahsySKpDdY
 
 
 
 
Chegamos, enfim, ao final do Estilo Gótico - Parte 3 da Id. Média.
Veremos a seguir os Pintores mais famosos da Idade Média,
em Novembro, que estão listados acima e fecharemos 2011 com As Cruzadas.

Até a próxima viagem, em 2012, ao encontro dos Primórdios do Renascimento.
Preparem-se porque veremos pinturas belíssimas, de tirar o fôlego!

Qualquer pergunta ou dúvida, por e-mail, ok?
Obrigada, NVP.     

 
    
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Créditos:

Texto e compilações:  Nídia Vargas Potsch
Arte  e Molduras:   Marilda Conceição / Joice Guimarães

Música: Losing my religion - Canto Gregoriano ( colaboração:  Auber F. Junior )

Imagens:  Google
Videos - Youtube

    
Bibliografia: 

1) Apostilas do Colégio Pedro II - (Organizada pelas Profas. de Artes Visuais do Colégio, onde me incluo)
2) História Mundial da Arte - Bertrand Editora. Vol 2
3) Arte Comentada - Caril Stricklasnd, Ph.D.  - Ediouro.
4) Hist. Geral da Arte - Id. Média  -  H.W. janson  - Martins Fontes / SP.

 Fontes:

www.planetaeducacao.com.br
Consultas e Fontes: Wkipédia.     
Imagens e textos auxiliares do Google.
Videos - Youtube
   

Agradecimentos:

Às três Amigas e Poetas: Luli Coutinho, Marilda Conceição e à
Webdesigner Joice Guimarães, e a todos que contribuíram para
que este trabalho se tornasse possível.
Meu profundo reconhecimento e carinho, Nídia.

 

Pintura: Angel Esteves - Galícia - Espanha
 

 

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