O FASCINANTE UNIVERSO
DAS ARTES D'ALMA - 2013
Nídia Vargas Potsch

Capítulo 1
 
 
 
 
Diferentes formas de se Olhar a Arte
  Matéria resumida por Nídia Vargas Potsch
 
 
 
"A arte instiga o olhar e a percepção, mas ver bem é um desafio complexo. Em plena era das imagens, saber observá-las e interpretar são questões centrais na comunicação pessoal e social."    Leandro Karnal
 
 
 
 
Para Ver a Arte
 
"Ver uma obra de arte implica muitas leituras entrecruzadas. Quando nos deparamos diante de uma obra de arte, uma série de indagações nos ocorre: quem  realizou esta obra? Quando foi realizada? Qual a motivação do artista para criá-la?De que a obra nos fala? Que sentimento nos é despertado? Podemos até mesmo ler numa imagem um significado tácito ou implícito que na verdade não estava na intenção do artista no momento da criação."  Sebastião Pedrosa.
 
 
 
 Existe muitas maneiras de se olhar para as imagens de um quadro. Dentre estas quatro pinturas bem diferentes em estilos e épocas, poderemos observá-las de variados ângulos, ou seja:
 
 
    A       B       C     D
          Bisão e cavalos                       Mosaico                          Pintura em papiro - julgamento                Abstracionismo
      Pintura em Caverna         A Virgem e o Menino             Diante do Deus Egípcio Anubis                    Kandinsky
 
 
 
1)  Primeiramente podemos nos perguntar: Qual a finalidade de uma pintura?
Resp - A -  figura de um bisão   -  foi pintada nas paredes de uma caverna e existe até hoje, na Espanha. Com que função? Difícil dizer, mas a maioria pensa ter um sentido mágico e que a imagem de tamanho natural dava coragem e habilidade ao seu autor para matar tal animal. O pintor rupestre pode ter alimentado a esperança de captura do bisão. São conjecturas analisando-se  por analogia, a magia negra etc...
 
     B - A segunda imagem, trata-se de um mosaico. Seu tema cristão é de fácil  percepção e entendimento.  A Virgem e o Menino. é uma pintura ilustrativa da História Cristã. Como poderia ser um retábulo ou um quadro religioso. Servia como parte de decoração da igreja e também para se contar os ensinamentos do Evangelho porque a grande maioria não sabia ler e olhar as figuras poderia ajudar a compreender a religião. Assim as pessoas simples recebiam os ensinamentos sagrados através das ilustrações nas igrejas.
 
     C -  Vejamos agora uma pintura em papiro.. O julgamento dos mortos junto ao Deus Anubis.  As pessoas mortas eram julgadas pelos seus feitos em vida. A pintura transmite uma crença egípcia, onde podemos observar costumes e hábitos da época. Observem a balança, que julga o bem e o mal feito.
 
     D -  Agora observemos um quadro abstrato do pintor Kandinsky - que revela  a atividade  criativa do pintor, sua energia, informando sobre a ação corporal e mental ao produzir a pintura.
 
 
 
2)  O que essa pintura nos diz a respeito das culturas em que foram produzidas?
Resp -  A - Como os primitivos viviam. Através de suas pinturas deduzimos seus costumes:
            nômades, caçadores, coletores, etc.
 
     B -  O mosaico reflete uma cultura paternalista. Onde alguns poucos davam instruções aos menos esclarecidos.
 
     C -  A pintura egipcia, nos mostra o modo de vida dos palacianos, do povo e até onde o refinamento da época chegou nos templos. Através do Livro dos Mortos aprendemos como os egípcios entendiam e lidavam com a morte. Pequena parte da pintura que nos mostra os detalhes do julgamento pelo deus Anubis.
 
     D -  A obra de Kandinsky nos mostra sobre como pessoas mais afortunadas vivem numa época favorável à visão pessoal de cada um, onde os artistas são incentivados à livre expressão.
 
 
 
3)  Vamos avaliar até que ponto esta pintura é realista?
Resp -  A -  A semelhança com o animal verdadeiro em tamanho e cores, podemos afirmar que sim.
 A pintura dos primitivos era realista.
 
      B -  A facilidade em reconhecer as figuras que compõe o mosaico, também nos faz crer que esta era uma pintura realista, para contar detalhes da História da Religião Cristã. Desde o nascimento de Jesus Cristo.
 
      C -  Aqui é um papiro mostrando como seria um julgamento após a morte - portanto fruto da imaginação.
 
      D -  Kandinsky procura se expressar vigorosamente por meio das cores e não podemos pensar aqui em   
             semelhanças  com a natureza, mas na transmissão de algum aspecto dos sentimentos e emoções que o artista quis registrar. - resultado da vontade do artista. Não nos mostra a realidade exterior.
 
 
 
4) Vamos analisá-la em termos de sua construção. Modo como as formas e cores são usadas para produzir padrões dentro do quadro. Como compreendemos melhor seu significado, recursos e estratagemas a que o artista recorreu para obter os efeitos desejados?
Resp -   Poderemos verificar se:
 Há equilíbrio nas formas pintadas, se o espaço do quadro está, todo ele, preenchido por objetos e figuras, se existe um lugar onde os olhos possam descansar, se as formas se relacionam com o tema da obra, se reflete agitação, tranqüilidade, prazer, se as imagens estão interligadas num padrão formal ou não, se as figuras possuem contornos, se as cores são frias ou quentes dando diferentes sensações, etc.
A análise formal da construção de uma pintura frequentemente nos ajuda a compreender melhor seu significado e a perceber os recursos e estratégias empregadas pelo artista para obter os efeitos desejados. Encontrar palavras que possam descrever e analisar obras de arte fornecerá o caminho que nos ajudará a progredir de uma mero e simples olhadela ou um olhar comum, para um ver ativo e discernidor.
 
 
 * * * *
 
 Outra forma de se olhar uma pintura:
 
Olhando Uma Pintura
 
 
"Temos muitas oportunidades de apreciar, olhar e estudar obras de arte. Mas várias destas obras, costumeiramente, são apenas vistas fora do seu contexto, em diferentes locais como, publicidade em revistas, cartões postais, jornais, etc. Conclusão: Essas obras não são verdadeiramente olhadas, porque ver não é o mesmo que olhar, como observar certos detalhes preciosos. E também, como por exemplo, ouvir e escutar não são a mesma coisa. Ver envolve apenas certo esforço para olhar, enquanto olhar é mais do que ver, é abrir a mente, refletir, usar o intelecto. Portanto, olhar um quadro é como partir numa viagem gratificante, onde há inúmeras possibilidades. Podemos incluir neste caso, a bela possibilidade da visão de uma outra época. E quanto melhor nos prepararmos para esta viagem, melhor será. Então, devemos nos familiarizar com este modo de olhar e observar, procurando olhar e compreender os detalhes que nos passariam desapercebidos."
 
 
Existem seis itens principais para se olhar uma obra de arte:
 
tema Todas as pinturas tem seu tema específico.É o assunto principal da pintura com mensagem significativa, geralmente fácil de se reconhecer.
 
técnica  -  Cada pintura é criada fisicamente. Ou num quadro, numa parede, papel; e, a compreensão das técnicas utilizadas, como o emprego das tintas, o uso do afresco, etc, aumentam significativamente o interesse pela apreciação de cada obra ao se perceber como são realizadas.
 
simbolismo  -  Muitas obras usam uma linguagem simbólica. E a alegoria usada na época, era compreendida por todos. Há objetos reconhecíveis que podem representar conceitos com significados mais profundos do que o objeto em si. A familiaridade com esta linguagem simbólica é uma grande descoberta, geralmente requer algum estudo.
 
espaço e luz  -  Todos os pintores precisam representar com convicção, o que é uma busca pessoal. E para tal acontecer é necessário que dominem a ilusão do espaço e da luz de maneira a tornar a imagem reproduzida bela e com sentido. Esta ilusão pode ser criada de infinitas maneiras diferentes.
 
estilo histórico  -  A cada período da História desenvolve-se um estilo próprio de arte que pode ser percebido nas diversas obras. Os estilos não existem isoladamente, mas se refletem em todas as artes.
 
interpretação pessoal  - Com os conhecimentos da História, das habilidades técnicas, a percepção do tema, etc. devemos ampliar a experiência pessoal de cada um de nós. Isto faz com que qualquer pessoa consiga olhar em detalhes as pinturas e perceber seu significado  a partir da mensagem que o artista quis passar aos observadores. Não desanime se não conseguir de primeira, insista e um mundo novo se abrirá à sua frente.
 
 
 
Entendendo a linguagem oculta da pintura.
 O que podemos observar na obra abaixo?
 
 
 
 
Um bar no Felies-Bergère  - 1882
 
"Famoso quadro  onde Manet que retrata o Folies-Bergère, em 1882. um dos mais célebres  café-concertos de Paris do fim do século XIX, muito apreciado pelos artistas, onde se encontravam pessoas de todas as classes sociais que iam lá, comer, beber e se divertir e onde cada um podia ver e ser visto."
A garçonete - Suzon, foi a modelo real de Manet e seu amigo Gaston, que vemos no reflexo do espelho, também lhe serviu de modelo.
 
a) No canto esquerdo superior podemos ver as pernas de um acrobata, com meias rosadas e sapatos verdes. que diverte os clientes do café, mas não interfere no estado pensativo da garçonete do bar. Observe.
 
b) A seguir repare no balcão divisor  refletido no espelho, forma uma faixa horizontal que divide a composição ao meio. e a prateleira mais acima também definem e marcam o campo do balcão. Suzon, a garçonete e as garrafas expostas, unem todas as faixas.
 
c) Podemos deduzir que Manet gostava de brincar com os espaços. Note o uso do espelho e das garrafas. o reflexo das garrafas não corresponde ao seu arranjo no balcão.
 
d) Manet evitava usar simbolismos, porque preferia  mostrar a vida como ela é. Mas no caso desta pintura, reparem bem, as garrafas possuem nuances de significado. Champanhe, bebida dos ricos e abastados, pintada ao lado de uma garrafa de cerveja inglesa, que é associada à classe operária,  assim como os clientes do café eram de diversas classes sociais. Homens elegantes, operários, prostitutas, se encontravam lado a lado e desfrutavam da companhia uns dos outros.
 
e) observe na garrafa avermelhada, no rotulo da mesma, a assinatura do artista com a respectiva data da pintura.
 
f) O brilho feérico da iluminação elétrica, que ia se popularizando nos locais elegantes, está muito bem retratada na imagem. O reflexo do lustre atrás da garçonete, composto por pinceladas difusas, complementa a delicada renda no decote e nas mangas do vestido da garçonete.
 
g) A garçonete Suzon, ( modelo real ) absorta em seus pensamentos, permanece. É preciso buscar pistas para decifrar  suas reflexões e compartilhar a intimidade deste momento, entrando neste caso, a interpretação pessoal.
 
h) Pela lógica o reflexo da garçonete não apareceria nesta posição e sua pose é diferente da pose da moça que olha de frente. A Suzon refletida está conversando com um homem, que imaginamos postado no lugar onde nós próprios estamos, em frente ao quadro. Essas imagens só fazem sentido, se olhadas no nível poético. Talvez seja um diálogo que a garçonete teve minutos antes e que agora lhe volta à mente , ou talvez uma conversa que ela espera ter ao encontrar o homem pelo qual se apaixonará e a libertará de sua dura vida de garçonete de café. São ambas conjucturas que passa por nossas mentes ao olharmos a pintura, ou ainda outras ... tente imaginar tb.
 
i) O copo com flores e as frutas na travessa na lateral esquerda, são detalhes pintados como se fossem naturezas-mortas, rica de cores e tintas fortes. O par de rosas faz jogo com as flores do corpete de Suzon. Observe também como uma forte linha vertical corre pelo rosto e pelo vestido da garçonete. ( desde o medalhão no pescoço, as flores no decote até os botões da vestimenta.) 
 
Quanto mais estudamos e observamos este quadro, mais ele se torna intrigante, como o devaneio da garçonete Suzon.
 
Tente observar outras pinturas.
Perceba o que você poderá deduzir à partir deste olhar mais detalhado.
Boa sorte, não desanime!!!
 
 

 

 

Pintura! Fruição que é Poesia

Nídia Vargas Potsch

 ( indriso)

 

 

A imaginação corre livre,

pinceladas e cores se harmonizam

criando belo espetáculo...

 

Oceanos de emoções, oásis de amor e sonhos

povoam o coração do artista; e ele,

 retrata aquilo que dita seu coração e alma.

 

A Tela expõe pontos de vista do artista.

Belas Pinturas nos revelam suas ocultas Poesias!

 

@Mensageir@

Rio, Jan /2013

 

 

 

 

Contemplar a Arte
Junior Pereira Almeida
 

Olhar...
Ver...
Admirar...
Sentir...
 
Olhar algo definido além da imaginação
Ver além do olhar encontrando perfeição
Ser afetado por aquilo que os olhos enxergam
Contextuar o que a situação propicia.
 
Interagir entre a visão
Ficar atento contemplando a beleza da arte
Observar como é e o que é...
Sentir a arte dentro de você.
 
Olhar um ser...
Ver uma situação...
Admirar um objeto...
Sentir...com razão...
 
Olhar e ser afetado
Interagir entre a visão e o existir
Ter como objetivo o espaço
este...sentindo a história.
 
Captar a atmosfera
Viver no imaginário
Luz...névoa envolvente
Anúncio que submete ao poente
 
Ar renovador nas artes
Musica, melodia...
Paixão, poesia...
 
Levar os artistas que habitam dentro de nós
Viver e pressentir o cotidiano das pessoas
 
Ruas...
Cidades...
Paisagens...
Corpo...
Alma...
Sentimento...
 
Vida vivida...
Sofrida...
Erguida...
 
Não em cenários inertes
Outrossim contempladas em arquivos
Inglórios envoltos
Chamados de Atelier.
 

Vitória - ES
30/01/2013
 
Grata Junior, por esta preciosa colaboração, NVP.
 
 
 
 
 
 
 Espero que você também nos acompanhe
 durante este ano de 2013.
Até o mês que vem,
 com o segundo capítulo  -  Arte Neo-Clássica ou Academicismo.
 
 
Qualquer pergunta ou dúvida, por e-mail, ok?
Até lá e Obrigada, Nídia.
 
 
 
 
Créditos:

Texto e compilações: Nídia Vargas Potsch
Arte, Formatação : Marilda Ternura
Indriso:  Nídia Vargas Potsch
Poema:  Junior Pereira Almeida
 
Bibliografia: 

1
) Apostilas do Colégio Pedro II
             (Organizada pelas Profas. de Artes Visuais do Colégio, onde me incluo)

2)  Arte Comentada - Carol Strickland, Ph. D
 
3) Bibliografia especial usada para este capítulo:
(Do livro de Susan Woodford do Círculo do Livro  - Ed. 1983 )  &
 (Do livro Para entender a Arte - Robert Cumming  -  Ed Ática - 1996)
 

Fontes: 

Consultas e Fontes: Wkipédia. 
Imagens e textos auxiliares do Google.
Videos - Youtube  ( não há )
Música : Arthur Moreira Lima - Valsinha completa.
 
 
 
 
Pintura: Angel Esteves - Galícia - Espanha
 
     
Agradecimentos:

Ás duas Amigas e Poetas
 Luli Coutinho, Marilda Conceição,
e à Webdesigner Joice Guimarães pela linda tag,
ao Amigo Junior pelo belo poema que arrematou tudo dito acima.
E a todos que contribuíram
para que este trabalho se tornasse possível.
Meu profundo reconhecimento e carinho, Nídia.

 

 

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