O FASCINANTE UNIVERSO
DAS ARTES D'ALMA
 
Nídia Vargas Potsch

O Expressionismo
Capítulo 6
 
 
O que entendemos por Expressionismo?
 
O expressionismo foi um movimento artístico e cultural de vanguarda surgido na Alemanha no início do século XX, penetrando nos campos artísticos da arquitetura, artes plásticas, literatura, música, cinema, teatro, dança e fotografia. Manifestou-se inicialmente através da pintura, coincidindo com o aparecimento do fauvismo francês, o que tornaria ambos os movimentos artísticos os primeiros representantes das chamadas "vanguardas históricas".
 
Mais do que meramente um estilo com características em comum, o Expressionismo é sinónimo de um amplo movimento heterogéneo, de uma atitude e de uma nova forma de entender a arte, que aglutinou diversos artistas de várias tendências, formações e níveis intelectuais.
O movimento surge como uma reacção ao positivismo associado aos movimentos impressionista e naturalista, propondo uma arte pessoal e intuitiva, onde predominasse a visão interior do artista – a "expressão" – em oposição à mera observação da realidade – a "impressão".
 
 

Fertilidade 1902

alto verão 1915

chuva - 1902

sol - 1916

ceifando 1916

 
             
 
Repetindo para fixar: O expressionismo surge a partir de uma reacção ao impressionismo. Ao contrário dos impressionistas, que procuravam no espaço da tela transmitir uma "impressão" do mundo à sua volta, os expressionistas procuravam representar o seu próprio mundo interior, uma "expressão" dos seus próprios sentimentos. A linha e a cor são usadas de forma emotiva e carregadas de simbolismo. Esta ruptura com a geração precedente fez com que o expressionismo se tornasse sinónimo de arte moderna durante os primeiros anos do século XX
 
 
 
Como se desenvolveu?
 
O expressionismo compreende a deformação da realidade para expressar de forma subjectiva a natureza e o ser humano, dando primazia à expressão de sentimentos em relação à simples descrição objetiva da realidade.
Entendido desta forma, o expressionismo não tem uma época ou um espaço geográfico definidos, e pode mesmo classificar-se como expressionista a obra de autores tão diversos como o holandês Piet Zwiers, Matthias Grünewald, Pieter Brueghel, o Velho, El Greco ou Francisco de Goya.
Alguns historiadores, de forma a estabelecer uma distinção entre termos, preferem o uso de "expressionismo" – em minúsculas – como termo genérico, e "Expressionismo" – com inicial maiúscula – para o movimento alemão.
 
 

vermelho e branco

homem e mulher

4 meninas 

jurisprudência

 
  
 
Através de uma paleta cromática vincada e agressiva e do recurso às temáticas da solidão e da miséria, o expressionismo é um reflexo da angústia e ansiedade que dominavam os círculos artísticos e intelectuais da Alemanha durante os anos anteriores à Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e que se prolongaria até ao fim do período entre-guerras (1918-1939).
Angústia que suscitou um desejo veemente de transformar a vida, de alargar as dimensões da imaginação e de renovar a linguagem artística. O expressionismo defendia a liberdade individual, o primado da subjectividade, o irracionalismo, o arrebatamento e os temas proibidos – o excitante, diabólico, sexual, fantástico ou perverso.
 
 
 
                                                              Cristo - Gólgota 1900
 
Pretendeu ser o reflexo de uma visão subjectiva e emocional da realidade, materializada através da expressividade dos meios plásticos, que adquiriram uma dimensão metafísica, abrindo os sentidos ao mundo interior. Muitas vezes visto como genuína expressão da alma alemã, o seu carácter existencialista, o seu anseio metafísico e a sua visão trágica do ser humano são características inerentes a uma concepção existencial aberta ao mundo espiritual e às questões da vida e da morte. Fruto das peculiares circunstâncias históricas em que surge, o expressionismo veio revelar o lado pessimista da vida e a angústia existencialista do indivíduo, que na sociedade moderna, industrializada, se vê alienado e isolado.
 
O expressionismo não foi um movimento homogéneo, coexistindo vários polos artísticos com uma grande diversidade estilística, como dissemos antes,  a corrente modernista (Munch), fauvista (Rouault), cubista e futurista (Die Brücke), surrealista (Klee), ou a abstracta (Kandinsky).
Embora o seu maior polo de difusão se encontrasse na Alemanha, o expressionismo manifestou-se também por meio de artistas provenientes de outras partes da Europa como Modigliani, Chagall, Soutine ou Permeke, e no continente americano como, por exemplo, os mexicanos Orozco, Rivera, Siqueiros e o brasileiro Portinari.
 
Na Alemanha existiram dois grupos dominantes: Die Brücke (fundado em 1905), e Der Blaue Reiter (fundado em 1911), embora tenha havido artistas independentes e não afiliados com nenhum dos grupos. Depois da Primeira Guerra Mundial surge a Nova Objetividade que, embora tenha sido uma reação ao individualismo expressionista e procurasse a função social na arte, a sua distorção das formas e o seu intenso colorido fazem do grupo um herdeiro directo da primeira geração expressionista.
 
 

A Dança da Vida

Cinzas

 
 
 
As transformações da Época

A transição do século XIX para XX assistiu a inúmeras transformações políticas,  sociais e culturais. A burguesia vive um período áureo de grande ostentação  económica e influência política, a Belle Époque, que se manifestaria nas artes através do modernismo, movimento artístico que responde ao luxo e ostentação  copiosos procurados pela nova classe dirigente. No entanto o receio perante a ocorrência de um novo episódio revolucionário, face às constantes revoluções ocorridas ao longo de todo o século XIX desde a Revolução Francesa  (o último em 1871, durante a Comuna de Paris), levou a classe política a decretar  uma série de concessões sociais, como a reforma laboral, a segurança social  e o ensino básico obrigatório. A queda da taxa de analfabetismo e o aumento da literacia traduziu-se no crescimento assinalável dos meios de comunicação social,  e numa difusão dos fenómenos culturais a uma escala e velocidade sem precedentes que estaria na origem da cultura de massas.

O progresso tecnológico no campo das artes, sobretudo depois da aparição da fotografia e do cinema, faz com que toda a comunidade artística se interrogue sobre o seu papel na sociedade. A imitação da realidade deixou de fazer sentido, uma vez que as novas técnicas tornaram o processo mais fácil, rápido e reprodutível.
 
As novas teorias científicas como a teoria da relatividade de Einstein, a psicanálise de Freud ou a subjectividade do tempo de Bergson, abriram a porta a noções subjectivas da realidade, fornecendo elementos para que o mundo artístico se questionasse sobre as próprias fronteiras da objectividade.
 
 
 
 
 Quarto de doente
 
 
A procura de novas linguagens artísticas e novas formas de expressão traduziu-se na formação de vários movimentos de vanguarda que exploravam uma nova relação do artista com o público. Os vanguardistas pretendem integrar a arte com a própria sociedade e fazer da sua obra uma expressão do inconsciente coletivo da sociedade que representava. Por sua vez, a interacção com o espectador leva a que este se envolva na percepção e compreensão da obra, assim como na sua difusão e mercantilização, factor que estará na origem do crescimento exponencial das galerias de arte e dos museus.
 
 
Influências
 
As raízes do expressionismo encontram-se em estilos como o simbolismo e o pós-impressionismo, bem como nos Nabis e em artistas como Paul Cézanne, Paul Gauguin e Vincent Van Gogh. Assim mesmo, têm pontos de contato com o neoimpressionismo e o fauvismo pela sua experimentação com a cor
 
                              
 
Concluindo
 
O expressionismo implicou um novo conceito da arte, entendida como uma forma de captar a existência, de transluzir em imagens o substrato que subjace sob a realidade aparente, de refletir o imutável e eterno do ser humano e a natureza. Assim, o expressionismo foi o ponto de partida de um processo de transmutação da realidade que cristalizou no expressionismo abstrato e o informalismo. Os expressionistas utilizavam a arte como uma forma de refletir os seus sentimentos, o seu estado anímico, propenso pelo general à melancolia, à evocação, a um decadentismo de corte neorromântico. Assim, a arte era uma experiência catárquica, onde se purificavam os desafogos espirituais, a angústia vital do artista.
 
 
 
 
 
 
Edvard Munch- 1921
e o Expressionismo
 
 
auto-retrato
 
 
 
Edvard Munch foi um pintor que estudou na Escola de Artes e Ofícios de Oslo, vindo a ser influenciado por Courbet e Manet. No lugar das ideias, o pensamento de Henrik Ibsen e Bjornson marcou o seu percurso inicial. A arte era considerada como uma arma destinada a lutar contra a sociedade. Os temas sociais estão assim presentes em O Dia Seguinte e Puberdade, de 1886.
 
 

Mesa do café

Floresta

Três moças

Meninas na ponte

Leitura

 
 
   
 
Com A Menina Doente (Das Kränke Mädchen, 1885) inicia uma temática que surgiria como uma linha de força em todo o seu caminho artístico. Fez inúmeras variações sobre este último trabalho, assim como sobre outras obras, e os seus sentimentos sobre a doença e a morte, que tinham marcado a sua infância (sua mãe morreu quando ele tinha 5 anos, a irmã mais velha faleceu aos 15 anos, a irmã mais nova sofria de doença mental e uma outra irmã morreu meses depois de casar; o próprio Edvard estava constantemente doente), assumem um significado mais vasto, transformados em imagens que deixavam transparecer a fragilidade e a transitoriedade da vida. Edvard Munch descobre em Paris a obra de Vincent van Gogh e Paul Gauguin, e indubitavelmente o seu estilo passa então por grandes mudanças.
 
 
 
 
 
Auto retrato
 
 

Madona

Os Assassinos

Retrato de Hans Jaeger 1889

 
 
           
                                                                                     
 
Em 1892 um convite para expor em Berlim torna-se num momento crucial da sua carreira e da história da arte alemã. Inicia um projecto que intitula O Friso da Vida. Edvard Munch representou a dança em 1950.
 
 
   
 
O  Grito
 
 
Aos trinta anos ele pinta "O Grito", considerada a sua obra máxima, e uma das mais importantes da história do expressionismo. O quadro retrata a angústia e o desespero, e foi inspirado nas decepções do artista tanto no amor quanto com seus amigos. É uma das peças da série intitulada O Friso da Vida. Os temas da série recorrem durante toda a obra de Munch, em pinturas como A Menina Doente (1885), Amor e Dor (1893-94), Cinzas (1894) e A Ponte. Rostos sem feições e figuras distorcidas fazem parte de seus quadros.
 
 
 
 
Amor e Dor ( love and Pain )
 
 
Em 1896, em Paris, interessa-se pela gravura, fazendo inovações nesta técnica. Os trabalhos deste período revelam uma segurança notável. Em 1914 inicia a execução do projecto para a decoração da Universidade de Oslo, usando uma linguagem simples, com motivos da tradição popular.
 
 

Tempestade

Mãe

A Voz

4 filhos do Dr Lind

 

O Beijo

Auto retrato

Ciúme

 
 
 
 
Munch retratava as mulheres ora como sofredoras frágeis e inocentes (ver Puberdade e Amor e Dor), ora como causa de grande anseio, ciúme e desespero (ver Separação, Ciúmes e Cinzas). As últimas obras pretendem ser um resumo das preocupações da sua existência: Entre o Relógio e a Cama, Auto-Retrato de 1940. Toda a obra está impregnada pelas suas obsessões: a morte, a solidão, a melancolia, o terror das forças da natureza.
 
 

Separação - 1896

Ciúme - 1895

Ansiedade

 
 
                
  
 
 
 
Casa de Munch
 
Faleceu em 23 de janeiro de 1944. Encontra-se sepultado no Cemitério de Nosso Salvador, Oslo, na Noruega.
 
 
 
 
O Expressionismo
Nídia Vargas Potsch
 

Alma à mostra, interior se expressando
em cores vivas com as mais autênticas
emoções, sentimentos e vivências...
 
O Homem se desnuda, se apresente
com o espírito desarmado de preconceitos
criando sensações inolvidáveis...
 
Cores e sabores da existência íntima...
Emotividade contínua moldada pelo coração!
 
@Mensageir@
Rio, 2014
 

 
http://youtu.be/6hobmAPx0so   documentário ( em inglês )
 
http://youtu.be/d9USHu_XZ4M  O Expressioniso  -  Munch
 
 
http://youtu.be/7fR2Q2uofS4    Em italiano
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este é o 6º Capítulo que lhes apresento
para o ano de 2014.
O Expressionismo
Qualquer pergunta ou dúvida, por e-mail, ok?
Até lá e Obrigada, Nídia.
 
 
 
 
 
Créditos:

Texto e compilações: Nídia Vargas Potsch
Arte, Formatação : Mara Pontes
Indriso:  Nídia Vargas Potsch
 
 
Bibliografia: 

1) Apostilas do Colégio Pedro II
(Organizada pelas Profas. de Artes Visuais do Colégio, onde me incluo) 
2)  Arte Comentada - Carol Strickland, Ph. D
3) Para entender a Arte - Robert Cumming - Ed. Ática.
4) A Arte de ver a Arte - Susan Woodford - Círculo do Livro - Univ. de Cambridge
5) História  Geral da Arte  -   H. W. Janson
6) História da Pintura Ocidental - Juliet Hesle Wood
7) O Livro da Arte - Martins Fontes
8)  Munch - Editôra Globo

Fontes: 
Consultas e Fontes: Wkipédia. 
Imagens e textos Google
 Videos - Youtube 
Música :  Noturno - Andre Gagnon 
 
 
 
 
 
 Pintura: Angel Esteves - Galícia - Espanha
 
 
Agradecimentos:

A todos que contribuíram
para que este trabalho se tornasse possível,
Às duas Amigas e Poetas
 Luli Coutinho, Marilda Conceição,
e às Webdesigner, Joice Guimarães e Mara Pontes
Meu profundo reconhecimento e carinho, Nídia.
 
 

 

 

 

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