O FASCINANTE UNIVERSO
DAS ARTES D'ALMA
 
Nídia Vargas Potsch

O Fauvismo
Capítulo 7
 
 
 
 
 
O fauvismo (do francês fauvisme, oriundo de les fauves, "as feras", como foram chamados os pintores não seguidores do cânone impressionista, vigente à época) é uma corrente artística do início do século XX, que se desenvolveu sobretudo entre 1905 e 1907. O Dicionário Houaiss indica fovismo como um termo homônimo.
 
O estilo começou em 1901 mas só foi denominado e reconhecido como um movimento artístico em 1905. Segundo Henry Matisse, em "Notes d'un Peintre", pretendia-se com o fauvismo "uma arte do equilíbrio, da pureza e da serenidade, destituída de temas perturbadores ou deprimentes".
 

Notredame
sunrise- 1902

 Pote azul e limão
1827

 Banks of Garonne
1901

Travessa e frutas
1901

Oliveiras
1898

 
 
       
 
 
Este grupo de pintores utilizava nos seus quadros cores violentas, de forma arbitrária. A denominação do movimento deve-se ao crítico conservador Louis Vauxcelles, que, no Salão de Outono de 1905, em Paris, comparou-os a feras (fauves).

La Danseuse jaune (1912) de Alexis Mérodack-Jeanneau (1873-1919). Musée des Beaux-Arts d'Angers.Havia ali uma escultura acadêmica representando um menino, rodeada de pinturas neste novo estilo, que o levou a dizer que aquilo lhe lembrava "um Donatello entre as feras". Tal denominação, inicialmente de caráter depreciativo, acabou por se fixar e passou designar o movimento.
 

Estilo de toalha
de mesa

Jardins
luxemburgo 1901

Mesa de jantar
1897

Cestas de laranjas
1913

Estilo de vida
com laranjas 1899

 
 
     
   

Os pintores fauvistas foram influenciados por: Van Gogh, através de seu emocionalismo e ardor passional no uso das cores, e por Gauguin, com seu primitivismo e visão sintética da natureza. A nova estética obedece aos impulsos instintivos ou as sensações vitais. Criar desobedecendo a uma ordem intelectual, onde as linhas e as cores devem jorrar no mesmo estado de pureza das crianças e selvagens, afrontando os cânones tradicionais da pintura. Evitam a ilusão da tridimensionalidade. A tela se apresentava plana, fornecendo apenas comprimento e largura. Basearam-se na força dos matizes saídos das bisnagas de tinta.
 

Janela aberta em Coillioure - 1905

Interior vermelho - 1947

 
 
               
                 
 
A realidade era deformada com a finalidade de produzir o estado de espírito do artista diante do espetáculo oferecido pela natureza em movimento (reflexos dos tons vivos sobre a água e galhos retorcidos). A nova geração de artistas buscava recomeçar sem se preocupar com a composição. Na ânsia de pintar o estado de graça, muitas vezes aplicava-se a tinta diretamente na tela.
 
 
 
 
Luxo, calma e volúpia -  1904
Um dos primeiros quadros de Matisse
 
 

Características marcantes da pintura fauvista:
a simplificação das formas e utilização maciça de cores puras;
a pouca, ou nenhuma, gradação entre os matizes;
as pinceladas, largas e definitivas, que continham espontânea gestualidade;
a utilização da cor na delimitação dos planos e na sensação de profundidade;
a escolha dos matizes sem relação com a realidade;
o movimento rítmico sugerido pelas linhas, texturas e pela continuidade dos elementos desenhados;
impulsividade e experimentação, em vez de exaustivos estudos preparatórios;
temas cotidianos que retratavam emoções e a alegria de viver;
a tradução de sensações elementares, no mesmo estado de graça das crianças e dos selvagens;
 
 

O alaúde - 1943

Lição de música    1917

Duas figuras - 1921

 
 
 
 
                                                                                      

Principais artistas do movimento:
Andre Derain,
George Rouault,
Henri Matisse,
Jean Puy,
Kees Van Dongen,
Maurice de Vlaminck,
Raoul Dufy

 

     Henri Matisse     

                  (   Foto - 1933  )                    

                                    O esteta da simplicidade e da cor 
 
 
Henri Emile Bernoit Matisse nasceu no último dia do ano de 1869, em Le Cateau, no norte da França. Era filho de um farmacêutico e comerciante de grãos, que sonhava em fazer do filho um próspero advogado. Contudo, Matisse preferiu abandonar a carreira jurídica e dedicar-se integralmente à pintura. Enquanto freqüentava como ouvinte a Escola de Belas-Artes, em Paris, ia ao Louvre para copiar os quadros de grandes mestres ali expostos.
 
 
 
Poster
 
Aos 19 anos de idade, estudante de Direito em Paris, Henri Matisse dividia seu tempo entre o trabalho vespertino de escriturário em uma firma de advocacia e, pela manhã, as aulas em uma escola de desenho. Foi quando uma crise de apendicite o deixou um longo tempo preso à cama e assim, afastado do trabalho burocrático, começou a se dedicar com mais afinco à pintura. "Antes, o cotidiano me aborrecia. Ao pintar, passei a sentir-me gloriosamente livre e tranqüilo", ele dizia.
 

 Mady no terraço
1907

Aht-amont
1920

 Antibes
1908

Barcos em Etratat
1920

Banhistas
1908

 
     
    
 
No começo, tudo parecia ir bem. Matisse teve quatro obras expostas no Salão da Sociedade Nacional de Belas Artes e foi convidado para ser membro associado da entidade. Contudo, seu flerte inicial com a estética impressionista contrariou as expectativas da parcela mais conservadora da crítica e ele passou a encontrar dificuldades em divulgar seu trabalho.
 
A situação se radicalizou quando participou do célebre Salão de Outono de 1905, em Paris, ao lado de Albert Marquet, Maurice Vlaminck e André Derain, que rejeitavam a paleta suave dos impressionistas e aderiram às cores fortes e aos traços expressivos, próximos aos de Vincent van Gogh e Paul Gauguin. A crítica detestou e reagiu com violência.
 

  Bouquet de flores
1917

Interior colorido
1905

Cape-layet 
1904

Conversa 
nas oliveiras 1921

Margaridas 
1919

 
  
 
 
Matisse e seus colegas foram então chamados de "fauves", numa livre tradução, "bestas selvagens". Daí surgiu o termo "fauvismo", utilizado inicialmente de forma pejorativa, para definir o movimento, de duração efêmera.
 
Porém, o escândalo e a controvérsia ajudaram a divulgar o nome de Matisse e a aproximá-lo de marchands mais esclarecidos e das vanguardas estéticas de seu tempo. O artista passou a vender um quadro atrás do outro e a fazer viagens pela Europa, África e Ásia, onde manteve contato com novas influências que se refletiram em seu trabalho, desde a tapeçaria oriental aos arabescos da arte islâmica.
 
 

 Aquarela
1906

 Artista e modelo
1919

Família e o artista
1911

Interior   1905
menina lendo

Interior 
  1919

 
   
 
 
Mas foi na luminosa cidade de Nice, na Riviera Francesa, com suas construções brancas e o mar azul do Mediterrâneo ao fundo, que Henri Matisse encontrou seu principal refúgio. Distanciado cada vez mais dos arroubos fauvistas, o artista buscava a harmonia e a paz de espírito. "Sonho com uma arte do equilíbrio, pureza e serenidade, isenta de temas inquietantes e perturbadores", dizia. "Quero que minha arte seja como uma boa poltrona em que se descansa o corpo cansado".
 
 

Moorish 1921

Aquerela 1904

Lorette 1917

Mulher 1905

Jovem à janela 1921

 
 
 
Em 1941, combalido por um câncer no intestino, Matisse foi submetido a duas cirurgias, que lhe tolheram os movimentos e o deixaram em uma cadeira de rodas. Foi nesse período que passou a trabalhar mais intensamente com uma técnica que desenvolvera desde 1937: a aplicação de tinta em papel recortado, os famosos gouaches découpées, que serviriam para ilustrar seu livro Jazz, de 1947. As fotos desta época mostram Matisse em seu quarto de hotel, com tesoura na mão e pilhas de papel colorido no chão.
 
 

River bank 1907

Notredame 1914 

Nu na floresta 1906 

 Janela aberta 1905

Pastoral 1905

 
   
 
 
Cada vez mais recluso, cercado de plantas e de pássaros que criava livremente no quarto, Henri Matisse viveu até 1954. Seu último trabalho foi o projeto de decoração de uma pequena capela na cidade montanhesa de Vence. Para a construção, despojada e banhada de sol, desenhou vitrais azulados e murais com finos traços negros sobre azulejos brancos. Considerava ter atingido ali a plenitude da simplicidade, sua obra-prima.
 
 

Sevilha 1911

Estatueta rosa 1910

Marguerite 1906

St. Tropez 1904

Toalha azul 1906

 
 
 
 
Curiosidades
Tempos bicudos
Henri Matisse casou em 1898, com Amélie Parayre, que ajudou o marido servindo-lhe de modelo e confeccionando chapéus para complementar a renda familiar. A situação financeira do casal nos primeiros anos após o casamento era crítica, ao ponto de Matisse ter que recorrer ao emprego de assistente de cenógrafo, encarregado de pintar folhas de louro para a decoração do pavilhão onde seria realizada Exposição Universal de 1900.

Uma ajuda providencial
Uma das primeiras pessoas a acreditar no talento de Henri Matisse foi a escritora Gertrude Stein. Colecionadora de arte, ela comprou vários quadros do início de carreira de Matisse. Foi ela também quem o apresentou a muitos marchands parisienses, o que ajudou a divulgar o nome de Matisse entre as principais galerias da capital francesa.
 
 

Alegria de viver - 1904

Robe roxo e anêmonas - s/data

 
               
 

Ilustrador de James Joyce Matisse foi também um exímio ilustrador. Entre seus trabalhos no gênero, destacam-se as gravuras que fez para uma edição de Flores do Mal, do poeta Baudelaire, e para o romance Ulysses, de James Joyce. Em 1937, também desenhou os cenários e os figurinos para uma montagem teatral de O Vermelho e o Negro, de Stendhal.
 
 
                                                         

Pintando na cama

Quando caiu enfermo, vitimado pelo câncer, Matisse continuou a pintar, embora passasse bom tempo na cama. Ele fixava pontas de carvão na extremidade de longas varas e, com elas, rabiscava as paredes e o teto de sua suíte no hotel Régina, em Nice.
 
 

Estudo da vida
selvagem 1905

Chá no jardim
1019

Mesa negra
1919

Marguerite lendo
1906

Zorah no terraço
1912

 
   
 

Duelo de gigantes
Picasso e Matisse nutriram uma convivência baseada na competição e, ao mesmo tempo, na admiração mútua. Ambos conquistaram fãs arrebatados e radicais no mundo das artes. "Picassistas" e "matissistas" chegavam a trocar ofensas e defendiam de forma ardorosa a suposta supremacia de seu respectivo ídolo. "Ninguém nunca olhou tão atentamente para meu trabalho quanto Picasso, nem tão atentamente ao trabalho dele como eu", ponderava o próprio Matisse.
 
 

   mulher nua
1906

Porto de Palais
1896

 Moulade
s/data

Estudio rosa
1911

Saint Michel - Paris
1900

 
   
 
 
Contexto histórico :
Ombro a ombro com Picasso Matisse é considerado por muitos críticos e historiadores da arte, junto com Pablo Picasso, o pintor mais importante e revolucionário do século 20. Uma de suas maiores inovações foi libertar a cor do caráter naturalista. Em 1905, por exemplo, ao pintar o retrato de sua esposa, pôs uma sombra verde no meio do rosto dela. "Quando pinto um verde, não significa dizer grama; quando pinto um azul, não quer dizer céu", observava.
 
 

Cebolas vermelhas
1906

Terraço Sait Tropezs
1904

Janela
1916

Jardim de Molineaux
1918

Vaso com iris
1912

 
    
 
É curioso notar que a obra de Matisse, ao contrário da de Picasso, não absorveu nenhum dos grandes momentos de tensão da história européia na primeira metade do século passado. Durante a Primeira Guerra Mundial, após não conseguir se alistar por que já havia passado da idade máxima permitida para o recrutamento, praticamente deixou de pintar, preferindo dedicar-se ao estudo do violino. Quando estourou a Segunda Guerra, já estava muito mais atormentado com a própria saúde, lamentando ter que deixar Nice por causa do avanço das tropas inimigas.
 
 
 
 
20 gravuras em papel recortado
 
 
 
 
 
A tristeza do rei - 1952
 
 
 
 
O nú azul - 1952
 
 
As obras iniciais de Matisse, sobretudo "Luxo, Calma e Volúpia", de 1904, com suas pinceladas isoladas, ainda são tributárias do neo-impressionismo, embora já anunciasse uma simplificação dos traços e dos volumes. Com o tempo, sua pintura evoluirá para uma crescente busca pela pureza da forma, da linha e das cores, o que atingirá seu ponto máximo nos gouaches découpées, os trabalhos de colagem com papel recortado.
 
 

1905

1906

 

Madame Matisse

 
                                                                                      
 
 
O crítico italiano Giulio Carlo Argan afirmava que a obra de Henri Matisse era, de certo modo, uma resposta negativa ao cubismo. "Ao cubismo, que analisa racionalmente o objeto, ele contrapõe a intuição sintética do todo". Em uma das obras mais famosas do artista, "A Dança", no qual cinco figuras humanas se alongam e dançam de mãos dadas, Argan vê a suprema realização do objetivo central da trajetória artística de Matisse: expressar a máxima complexidade por meio de uma enorme simplicidade.
 
 
 

 

Dance  -  1910

 

 

Os Fauvistas
Nídia Vargas Potsch

Rompendo com a ordem intelectual vigente
em arte equilibrada, pura, serena, exprimiam-se
sem temas agitadores ou depressivos...

Utilizavam matizes de cores sem mistura
com enfase às formas planas, chapadas na tela,
 onde surgiam pinceladas sem gradação...

A realidade deformada, natureza em movimento...

 Linhas e texturas agregadas ao movimento rítmico.


@Mensageir@
Rio, 2014

 

Vídeos:
 
 
http://youtu.be/rcmxLVm6g7A  apresentação das pinturas só com música
 
http://youtu.be/m93J73e7_Os  arte com a tesoura
 
http://youtu.be/Ob8FWxrKVZY  em inglês - longo
 
http://youtu.be/AuJKHKEBfmY  falado em inglês
 

 

Este é o 7º Capítulo que lhes apresento
para o ano de 2014.
O Fauvismo
Qualquer pergunta ou dúvida, por e-mail, ok?
Até lá e Obrigada, Nídia.
 

 

 

 

Bibliografia: 

1) Apostilas do Colégio Pedro II
(Organizada pelas Profas. de Artes Visuais do Colégio, onde me incluo) 
2)  Arte Comentada - Carol Strickland, Ph. D
3) Para entender a Arte - Robert Cumming - Ed. Ática.
4) A Arte de ver a Arte - Susan Woodford - Círculo do Livro - Univ. de Cambridge
5) História  Geral da Arte  -   H. W. Janson
6) História da Pintura Ocidental - Juliet Hesle Wood
7) O Livro da Arte - Martins Fontes
8) Matisse - Artistas Famosos  - Ed. Callis
9) M de Matisse - Cia das Letrinhas - Marie Sellier

Fontes: 
Consultas e Fontes: Wkipédia. 
Imagens e textos Google
Videos - Youtube 
Música :  Nuit D'Ete - Andre Gagnon 
 
 
 
 
 Pintura: Angel Esteves - Galícia - Espanha
 
 
 
Agradecimentos:

A todos que contribuíram
para que este trabalho se tornasse possível,
Às duas Amigas e Poetas
 Luli Coutinho, Marilda Conceição,
e às Webdesigner, Joice Guimarães e Mara Pontes
Meu profundo reconhecimento e carinho, Nídia.

 

 

 

 

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