O FASCINANTE UNIVERSO
DAS ARTES D'ALMA
Nídia Vargas Potsch

 
 
O Renascimento
                                                                     ( Parte - 2 )
 
 
Como Surgiu o Renascimento
 
 

As transformações socio econômicas iniciadas na baixa Idade Média e que culminaram com a Revolução Comercial da Idade Moderna afetaram todos os setores da sociedade, ocasionando inclusive mudanças culturais. Intimamente ligados à expansão comercial, à reforma religiosa e ao absolutismo político, as transformações culturais dos séculos XIV a XVI - movimento denominado Renascimento cultural - estiveram articuladas com o capitalismo comercial.

 

Uma cidade - o moinho

 

O Renascimento foi o primeiro grande movimento cultural burguês dos  tempos modernos e caracterizou-se por ser essencialmente um movimento anticlerical e antiescolástico, uma vez que se opunha à cultura religiosa - imposta durante séculos pela civilização cristã no período da Idade Média - e teocêntrica do mundo medieval.

No conjunto da produção renascentista, começaram a sobressair valores modernos, burgueses, como o otimismo, o individualismo, o naturalismo, o hedoismo e o neoplatonismo.  Mas o elemento central do Renascimento foi o humanismo, isto é, o homem como o centro do universo, antropocentrismo, a valorização da vida terrena e da natureza, o humano ocupando o lugar cultural até então dominado pelo divino e extraterreno.

Como o humanismo abandonava-se o uso de conhecimentos clássicos tão somente para provar dogmas e verdades religiosas, destacando-se a erudição medieval confinada nas bibliotecas ou na clausura dos mosteiros. Impulsionava-se a paixão pelos clássicos greco-romanos numa busca de sabedoria e belezas "esquecidas" pela Idade Média. O homem renascentista, o artista, o cientista, o literato, confunde-se com o próprio Deus pela genialidade e criatividade.

 

A ascensão da Burguesia

Rotas do Comércio, feiras e burgos

 

O Renascimento Comercial e Urbano foi uma das Consequências das Cruzadas, pois com o contato do Ocidente com o Oriente (basicamente árabes muçulmanos) muitos conhecimentos e técnicas foram transmitidos aos Europeus, como por exemplo os algarismos arábicos, as técnicas de Navegação e construção Naval, aperfeiçoamento da Metalurgia e outros.

As primeiras manifestações renascentistas acompanharam o processo de urbanização e ascensão da burguesia e a necessidade de adequar as concepções artístico-literárias ao novo ideal burguês.

Após a abertura do mar Mediterrâneo, recuperado durante as Cruzadas, as cidades italianas de Florença, Veneza, Roma e Milão transformaram-se em grandes centros de desenvolvimento capitalista, motivo pelo qual apresentavam as condições necessárias para a germinação e proliferação do Renascimento.

 

burgueses

 

A Itália contava ainda com a ajuda de ricos patrocinadores das artes e das ciências - mecenas - a presença da cultura clássica, graças aos seus muitos monumentos e ruínas; valores humanos, através da presença dos sábios bizantinos - em fuga da decadência do Império Romano do Oriente e das crescentes pressões dos turcos otomanos; e com a influência dos árabes, povo que obtivera, ao longo dos séculos, enorme repositório de valores da Antigüidade Clássica e que mantinha contatos comercias com os portos italianos.

No final do século XVI, a transferência para o Atlântico do eixo econômico e comercial europeu, quebrou o monopólio comercial italiano e provocou a decadência do renascimento italiano.

No conjunto dos países europeus, o movimento renascentista não despertou o mesmo ímpeto, não demonstrou o apego íntimo aos clássicos, nem enfatizou o humanismo, como aconteceu na Itália. Ao contrário, espelhou características específicas em cada região desenvolvendo um humanismo bem aos moldes cristãos: preocupação com problemas de ordem prática, predominância da ética sobre a estética. A literatura e a filosofia tiveram destaque, em detrimento da pintura e da escultura.

 

Comércio, feiras e burgos

 

 

Renascimento Cultural

 

O Renascimento Cultural manifestou-se primeiro na região italiana da Toscana, tendo como principais centros as cidades de Florença e Siena, de onde se difundiu para o resto da península Itálica e depois para praticamente todos os países da Europa Ocidental, impulsionado pelo desenvolvimento da imprensa por  Gutenberg.
 
A Itália permaneceu sempre como o local onde o movimento apresentou maior expressão, porém manifestações renascentistas de grande importância também ocorreram na Inglaterra, Alemanha, Países Baixos e, menos intensamente, em Portugal  e Espanha, e em suas colônias americanas.
 
O brilhante florescimento cultural e científico renascentista deu origem a sentimentos de otimismo, abrindo positivamente o homem para o novo e incentivando seu espírito de pesquisa.
 
O desenvolvimento de uma nova atitude perante a vida deixava para trás a espiritualidade excessiva do gótico e via o mundo material com suas belezas naturais e culturais como um local a ser desfrutado, com ênfase na experiência individual e nas possibilidades latentes do homem.
 
 
 
O Homem
 
 
Além disso, os experimentos  italianos, o crescente prestígio do artista como um erudito e não como um simples artesão, e um novo conceito de educação que valorizava os talentos individuais de cada um e buscava desenvolver o homem num ser completo e integrado, com a plena expressão de suas faculdades espirituais, morais e físicas, nutriam sentimentos novos de liberdade social e individual.
 
No século  XVII, o Renascimento estará dando origem a uma nova filosofia, o Iluminismo.
 

 O Renascimento científico

 

Marcado pelo estudo do homem e da natureza, pela busca das explicações racionais para os fenômenos da natureza. O método experimental passou a ser o principal meio de se alcançar o saber científico da realidade.

 

escriba num escritorio

 

                              Algumas das muitas descobertas e invenções da época

                                                     

                                            A prensa móvel   de Gutemberg                                       

        

 

A polvora, a bússola e o astrolábio.

Uso da ferradura e dos moinhos d"água,

(que vimos numa imagem acima)

 

 

caravelas

 

Os relógios, os mapas e as caravelas, foram muitas das invenções da época.

 

Curiosidades

 
 
Trajes  e  Acessórios    -   Jóias  e  Móveis :
 
 
Desde a idade Média como vimos, existia uma diferença entre a forma de vestir dos italianos e a forma de vestir do resto da Europa medieval.  Até em termos arquitetonicos, o gótico nunca vingou na Itália, à exceção da fantástica Catedral de Milão.  E no Renascimento, não foi muito diferente.
 
 
 
Trajes italianos
 
 
O gosto pelos chapéus, principalmente, que vinha desde a  Idade Média, prolongou-se pelo Renascimento.
 
Por volta de 1550, 1570, tudo mudou e o estilo alemão que prevalecia até aí deu lugar à moda espanhola, mais sóbria e elegante e quase sempre preta.  A nova moda de origem espanhola agora adotada pela corte inglesa com algumas modificações, privilegiava as mangas acolchoadas (de trapos, crina de cavalo, farelo e algodão, com vista a retirar todos os vincos), as cinturas muito finas graças ao espartilho, mesmo nos homens, e o tricot, que foi a verdadeira novidade.
 
 
 
observe as cinturas, mangas e golas
 
 
                                                      
época de Henrique III
 
 
                                                 
                                          Henrique VIII                                            Rainha Elizabeth
 
 
 Note-se que a rigidez que estas figuras provocavam coincide com a rigidez e austeridade que a corte tentava projectar de si mesma. O retrato de membros da aristocracia é quase sempre feito em pé, numa posição hierática e firme, com um pé ligeiramente à frente do outro.
 
 
capa masculina
 
Na segunda metade do século XVI essa necessidade de rigidez no vestuário tornou-se ainda mais evidente principalmente no traje feminino que graças ao uso de corpetes feitos de papelão e mantidos no lugar por barbatanas feitas de madeira (que não acompanhavam o movimento do corpo), mantinha as senhoras completamente direitas. Infelizmente o traje também lhes trouxe problemas de saúde e deformações físicas irreparáveis e algumas, mortais.
 
 
Rainha Margaret da Áustria - 1609
 
 
 
 
saias rodadas, babados  e muitas jóias
 
A saia armada era conhecida por farthingale. Consistia num cone de tecido a cobrir arcos de arame, madeira ou barbatanas de baleia e que iam decrescendo em tamanho dos pés para a cintura. Havia várias versões: a farthingale inglesa tinha depois umas "anquinhas" nada cómodas, a fathingale francesa era circular e mais simples, a farthingale italiana era usada com um acrescento atrás.
 
 
observe a finura da cintura
com espartilho.
 
No traje masculino, também algo mudou com o passar do século e foi o uso do mandeville que era mais ou menos um casaco, com mangas falsas, aberto lateralmente nas costuras, abotoado da gola até ao peito e usado de lado.
As meias também mudaram porque se até aí estavam presas ao gibão, agora passaram a ser meias-calça, costuradas aos calções.
Os sapatos mantiveram-se arredondados mas adquiriram tacão, as botas que até aí eram só para montar assumem protagonismo e fazem agora parte do vestuário, sendo a versão preferida aquela que neste Inverno também está na moda e que vai até acima do joelho.
As luvas de couro fino começam a ser utilizadas em Inglaterra antes de 1580, mas só aí é que a Inglaterra as começa a produzir, uma vez que mandava vir esses acessórios de Espanha.
 
O grau de sofisticação atingido no final do século XVI era quase embaraçoso.
 
 
 
Jóias e Móveis
 
  
 
fabricantes de jóias e ourives
 
 
detalhe de jóias da época
 
 
 
medalhas religiosas
 
 
 
                                     
                        brincos                               broche                       broche com diamantes
 
 
                                
                    fenix em                                              punho de espada                    detalhe de cópia de jóia
 
 
                                                              
 
detalhe de cópias de brincos
                             
 
 
                          
 
                                                                             camas, banqueta  e cadeira
 
                                        
 
                                                 
 
            
           um móvel todo trabalhado em relevo
 
 
 
 
Os Valores da Época
 
 

O movimento renascentista envolveu uma nova sociedade e portanto novas relações sociais em seu cotidiano. A vida  urbana passou a implicar um novo comportamento, pois o trabalho, a diversão, o tipo de moradia, os encontros nas ruas, implicavam por si só um novo comportamento dos homens. Isso significa que o Renascimento não foi um movimento de alguns artistas, mas uma nova concepção de vida adotada por uma parcela da sociedade, e que será exaltada e difundida nas obras de arte.
Apesar de recuperar os valores da cultura clássica, o Renascimento não foi uma cópia, pois utilizava-se dos mesmos conceitos, porém aplicados de uma nova maneira à uma nova realidade. Assim como os gregos, os homens "modernos" valorizaram o antropocentrismo: "O homem é a medida de todas as coisas"; o entendimento do mundo passava a ser feito a partir da importância do ser humano, o trabalho, as guerras, as transformações, os amores, as contradições humanas tornaram-se objetos de preocupação, compreendidos como produto da ação do homem.
 
 
 
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Vídeos do Youtube para complementar o que foi dito acima
 
 
 
 
 
 
 
 
 
curiosidade:  boda medieval em pleno de sec XXI
 
 
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Renascer... Renascimento!
Nídia Vargas Potsch
( indriso )
 
A Flor da Hélade brotou no coração dos Homens
Bela, em sua frondosa galhada,
Dando fruição e anima aos muitos seres
 
Que surpresos com as mudanças,
Ficaram satisfeitos em apreciar
As belezas que surgiram ao redor...
 
A imaginação, como espelho, pode refletir a luz...
Renascer, renovar, reviver...  e...  fazer-se!
 
@Mensageir@
Rio, Fev. / 2012
 
 
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Espero que tenham gostado destes detalhes interessantes .
Até uma próxima viagem ao encontro de mais fatos e pintores desta Época.
Passaremos então à terceira parte e começaremos depois disso
o desfile dos Pintores e suas Escolas de Pintura!
Qualquer pergunta ou dúvida, por e-mail, ok?
Obrigada, NVP.
 

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Créditos:
Texto e compilações: Nídia Vargas Potsch
Arte, Formatação e Molduras: Marilda Conceição / Joice Guimarães / Auber Fioravante Jr.

 


Música: Coração Valente
Imagens: Google.
Vídeos: Youtube


Bibliografia: 
1) Apostilas do Colégio Pedro II 
            (Organizada pelas Profas. de Artes Visuais do Colégio, onde me incluo) 
2) História Mundial da Arte - O Renascimento - Bertrand Editora. Vol 3
3) Arte Comentada - Carol Strickland, Ph. D
4) Para entender a Arte - Robert Cumming - Ed. Ática.

Fontes: 
www.planetaeducacao.com.br
Consultas e Fontes: Wkipédia. 
Imagens e textos auxiliares do Google.
Videos - Youtube
 


Agradecimentos:
Aos três Amigos e Poetas:

Luli Coutinho, Marilda Conceição e Auber Fioravante Jr.
à Webdesigner Joice Guimarães;
e, a todos que contribuíram para que este trabalho se tornasse possível. 
Meu profundo reconhecimento e carinho, Nídia.